Chief Enrollment Officer vs. Coordenador de Captação: qual é a diferença real (e por que importa)

Categoria: Gestão e Estratégia

Por Tripulação da Astronauta Martech

9 min de leitura

Você abriu este artigo com uma pergunta na cabeça.

O coordenador de captação da sua IES já faz o trabalho de um Chief Enrollment Officer, ou falta alguém acima dele?

A resposta honesta desmonta a expectativa de resposta simples. Não é sobre trocar uma pessoa por outra, nem sobre inflar um título no organograma. É sobre quem assume a responsabilidade pelo ciclo completo do aluno, da primeira captação até o alumni fidelizado. Se você ainda não sabe exatamente o que esse cargo cobre, comece por O que é um Chief Enrollment Officer: o guia completo.

Esse artigo compara os dois papéis lado a lado numa tabela. Mostra quando cada um faz sentido pra sua IES e os erros mais comuns nessa confusão. No final, responde as perguntas que sua diretoria vai fazer antes de aprovar qualquer mudança de estrutura.

CritérioCoordenador de CaptaçãoChief Enrollment Officer
EscopoCaptação de novos alunosCiclo completo: captação, conversão, retenção e alumni
Métricas principaisLeads gerados, CPL, matrículasCAC, LTV, taxa de retenção, NPS do aluno
Nível hierárquicoTático-operacionalEstratégico
Relação com marketingRecebe leads gerados pelo marketingDefine a estratégia de marketing junto com o diretor
Relação com academiaPouca ou nenhumaIntegrada: influencia currículo e experiência do aluno
Relação com financeiroReporta resultadosCo-responsável pela receita recorrente
Horizonte de tempoSemestral, por processo seletivoAnual e plurianual

O que o Coordenador de Captação entrega no dia a dia

O coordenador de captação segura uma etapa crítica do funil. Ele traduz metas de matrícula em campanhas, formulários, follow-up de leads e prazos de vestibular.

Esse trabalho exige repertório técnico real. Sem ele, sua IES simplesmente não preenche turma.

Repare no padrão: cada item termina quando o aluno assina a matrícula. O que acontece depois não está no escopo do cargo. Raramente aparece na meta dele.

O que o Chief Enrollment Officer entrega, quando o cargo existe de verdade

O Chief Enrollment Officer parte de uma pergunta diferente. Não é "como enchemos a turma este semestre". É "quanto vale um aluno pra sua IES ao longo de toda a jornada dele".

Essa pergunta muda o que se mede e quem participa da conversa. A evasão no ensino superior privado brasileiro foi de 26,6% em 2024, segundo o Instituto Semesp. Cada aluno que sai no meio do curso é receita que a captação já pagou pra trazer, perdida antes de a IES recuperar o investimento.

Um Chief Enrollment Officer trata retenção como parte do próprio trabalho. Não como problema exclusivo da coordenação pedagógica.

Nenhum desses itens cabe na rotina semestral de um coordenador de captação. Eles exigem assento na mesa onde currículo, financeiro e marketing decidem juntos.

Quando um Coordenador de Captação é suficiente pra sua IES

Nem toda IES precisa hoje de alguém pensando o ciclo completo. Se sua instituição tem processo seletivo previsível, poucos cursos e um diretor que já acompanha retenção de perto, o coordenador resolve.

Faz sentido manter só a coordenação quando:

Nesses casos, criar um cargo de Chief Enrollment Officer é sobrecarga de estrutura sem ganho real. O problema aparece quando esse cenário muda e ninguém percebe a tempo.

Quando sua IES precisa de uma mentalidade de Chief Enrollment Officer

Os sinais costumam aparecer separados, num relatório de funil e noutro de retenção. Raramente alguém junta as duas pontas antes que o caixa sinta o efeito.

Sinais de que o funil parou de ser o problema

Se sua captação bate a meta, mas o caixa não fecha, o gargalo mudou de lugar. Lead convertendo em matrícula não significa aluno gerando receita sustentável ao longo do curso.

Esses sinais aparecem antes do resultado final estourar no caixa. Quem espera o boletim financeiro pra agir já perdeu um semestre inteiro de correção possível.

Sinais na retenção e na receita recorrente

Cursos com histórico de evasão alta pedem atenção redobrada. Ao longo de uma coorte completa de alunos, entre 2018 e 2022, Engenharia chegou a 65,3% de evasão acumulada na rede privada, e Direito a 55,3%, segundo o Instituto Semesp.

No EAD, o problema é ainda maior. Cursos de Administração em EAD chegam a 70,8% de evasão acumulada na mesma coorte, segundo o mesmo levantamento.

Se sua IES tem cursos assim no portfólio, captação sozinha não resolve o problema de receita. Alguém precisa decidir, com dados, onde investir em permanência e onde reduzir vaga ofertada.

Esse alguém não é o coordenador de captação. A decisão envolve currículo, corpo docente e política de bolsas, não só funil de entrada.

Isso é gestão estratégica de captação de verdade: decidir prioridade entre funil, retenção e currículo ao mesmo tempo, não em silos separados.

Os erros mais comuns quando IES confundem os dois papéis

Essas confusões aparecem toda vez que sua IES tenta resolver um problema estratégico com uma solução tática. Reconhecer o padrão cedo evita meses de expectativa desalinhada entre marketing, academia e financeiro.

Perguntas frequentes

Toda IES precisa de um Chief Enrollment Officer?
Não. IES pequenas, com portfólio enxuto e diretor envolvido na retenção, resolvem bem só com um coordenador de captação forte. A mentalidade de ciclo completo importa mais quando a estrutura cresce, o portfólio se diversifica ou a evasão começa a corroer o caixa.

Dá pra ter um CEO educacional sem criar o cargo formalmente?
Dá, e é o caminho mais comum no Brasil hoje. O diretor geral ou o diretor de marketing pode assumir essa mentalidade sem mudar o título, se tiver assento nas decisões de currículo e financeiro. Veja o passo a passo pra fazer isso sem orçamento pra um cargo novo em Como criar a função de Chief Enrollment Officer sem orçamento. Se sua IES está decidindo entre equipe interna ou apoio externo, veja também este comparativo: Time interno de marketing ou gestão terceirizada.

Qual o salário de um Chief Enrollment Officer no Brasil?
Não existe pesquisa salarial brasileira específica pra esse cargo ainda. Como proxy real, considere a faixa de um Diretor de Marketing sênior, que hoje assume boa parte dessa responsabilidade. Segundo o Guia Salarial 2026 da Robert Half, ela vai de R$ 24.350 a R$ 51.650 por mês, variando conforme o porte da empresa.

Como convencer a diretoria a criar essa função?
Leve números que a diretoria já entende: evasão em reais perdidos, não em percentual solto. Mostre quanto custa recuperar um aluno que sai no meio do curso e some isso ao custo de captação que já foi pago. Depois proponha a mudança de mentalidade antes de propor o cargo formal. Traga também um exemplo real de outra IES do mesmo porte que já pensa o ciclo completo.

A diferença não é o cargo, é quem assume o ciclo completo

Chegando até aqui, a pergunta original já mudou de figura. Não é sobre substituir seu coordenador de captação por alguém com título mais bonito.

A diferença entre captação e enrollment management não está no nome em inglês. Está em quem carrega a meta do aluno inteiro, não só da matrícula.

É sobre decidir, com clareza, quem na sua IES responde pelo aluno depois que ele já matriculou. Se ninguém responde por isso hoje, esse é o problema real, não o nome do cargo.

O coordenador de captação continua essencial. Alguém precisa operar o funil todo semestre, com disciplina e método.

A pergunta que fica é outra.

Quem, na sua IES, olha pro aluno como valor de longo prazo, e não só como meta do próximo processo seletivo?